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equa105-1J.png
equa105-2J.png

    Após essas considerações e supondo uma máquina síncrona trifásica, podemos encontrar o valor de pico da tensão induzida em qualquer uma das fases simplesmente usando a equação acima para seu valor máximo, ou seja, quando ω t = 0. Assim:

    EAmax  =  Φmax N ω

    Porém, como sabemos, ω = 2 π f. Então é possível escrever:

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    eq.   105-2a

    Logo, é possível determinar o valor eficaz ou RMS da tensão induzida em qualquer uma das fases da máquina, dividindo o valor encontrado por √2, obtendo a eq. 105-03, ou:

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    eq.   105-03

    Na literatura técnica a eq. 105-03 é mais conhecida pelo formato da eq. 105-3a onde foi efetuado o produto √2 π.

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    eq.   105-3a

    A tensão eficaz nos terminais da máquina dependerá de o estator estar ligado em Y ou em delta. Se a máquina estiver ligada em Y, a tensão nos terminais será √3 EA. Se a máquina estiver ligada em delta, a tensão nos terminais será simplesmente igual a EA.

    Da eq. 105-03 é possível tirar as seguintes conclusões:
  • O valor eficaz das tensões nos terminais da máquina é proporcional ao número de espiras, a intensidade do campo indução magnético e à velocidade de rotação da máquina.

  • Para que a frequência seja constante é necessário que a velocidade do rotor seja constante.

  • Mantendo a velocidade constante, o valor eficaz das tensões pode ser modificado através da variação do campo indutor.


    5.   Modelo Elétrico da Máquina Síncrona

    Vamos desenvolver um modelo de circuito elétrico equivalente que usaremos para estudar o comportamento da performance da máquina síncrona com suficiente precisão.

    A corrente IF que circula pelo enrolamento de campo produz um fluxo ΦF no entreferro. Por outro lado, a corrente de armadura Ia que flui pelo enrolamento do estator produz um fluxo Φa. Parte deste fluxo interage somente com o enrolamento do estator e é chamado de fluxo de dispersão, que denominaremos de Φal. Este fluxo não interage com o fluxo devido ao enrolamento de campo. Portanto, a maior parte do fluxo devido à corrente de armadura está confinado no entreferro e interage fortemente com o fluxo de campo. Este fluxo é chamado fluxo de reação da armadura e é representado por Φar. Logo, o fluxo resultante no entreferro, denominado Φr, é devido as componentes dos dois fluxos ΦF e Φar. Cada fluxos destes induzem uma componente de tensão no enrolamento do estator. Assim, EA é induzida por ΦF, Ea é induzida por Φar e a tensão resultante Er é induzida por Φr. A tensão EA pode ser calculada a partir das curvas de circuito aberto da máquina.

    Devemos salientar que a tensão Ear, conhecida como tensão da reação de armadura depende de Φar e, por consequência, este depende de Ia. Do que foi exposto até aqui, podemos escrever que:

    Er = Ear + EA

    Trabalhando algebricamente esta equação, podemos escrever:

    EA = - Ear + Er

    Assim, podemos desenhar um diagrama mostrando os fasores envolvidos nesta análise.

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Figura 105-01

    Do diagrama mostrado na Figura 105-01, vemos que o fluxo Φar, bem como a corrente Ia que o gera, estão adiantados de 90° em relação à tensão Ear. E por sua vez, a tensão - Ear está adiantada de 90° em relação à Ia. Lembrando que uma reatância indutiva atrasa a corrente em 90° em relação à tensão, então isto sugere que - Ear é a queda de tensão em cima de uma reatância indutiva, que denominaremos de Xar, devido à corrente Ia. Usando este fato, podemos reescrever a última equação da seguinte maneira:

    EA = j Xar Ia + Er

    A reatância Xar é conhecida como reatância da reação de armadura ou reatância magnetizante e é mostrada na Figura 105-02.

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Figura 105-02

    Se a resistência do enrolamento do estator Ra e a reatância de dispersão Xal (que leva em conta o fluxo de dispersão Φal) estão incluídos, o circuito equivalente por fase é representado na Figura 105-03.

reatancia105-3J.png
Figura 105-03

    A resistência Ra é a resistência efetiva e é aproximadamente 1,6 vezes a resistência CC do enrolamento do estator. A resistência efetiva inclui os efeitos da temperatura de operação e o efeito de superfície causado pela alternância da corrente fluindo através do enrolamento de armadura.

    Para simplificar, é comum definir uma nova reatância chamada de reatância síncrona e representada por XS, que é a soma das reatâncias Xar e Xal. Assim, usando esssa nova reatância, podemos representar o modelo da máquina síncrona pelo circuito mostrado na Figura 105-04.

reatancia105-4J.png
Figura 105-04

    Assim, podemos definir as seguintes equações:

    XS = Xar + Xal
    ZS = Ra + j XS

    Cabe ressaltar que, a reatância síncrona XS leva em conta todos os fluxos, o magnetizante, bem como o de dispersão, produzido pela corrente de armadura.

    Os valores dos parâmetros da máquina dependem do tamanho da máquina. A Tabela 105-01 mostra sua ordem de grandeza. As unidades estão em p.u.. Uma impedância de 0,1 pu significa que se a corrente nominal fluir, a impedância produzirá uma queda de tensão de 0,1 (ou 10%) do valor nominal. Em geral, à medida que o tamanho da máquina aumenta, a resistência por unidade diminui mas a reatância síncrona por unidade aumenta.


Tabela 105-01
Máquinas Pequenas (dezenas de KVA) Máquinas Grandes (dezenas de MVA)
  Ra 0,05 - 0,02 0,01 - 0,005
  Xal 0,05 - 0,08 0,1 - 0,15
  XS 0,5 - 0,8 1,0 - 1,5

    Uma forma alternativa de mostrar o circuito equivalente da máquina síncrona é usar o equivalente de Norton da tensão de excitação Ef e a reatância síncrona XS, como mostra a Figura 105-05.

reatancia105-5J.png
Figura 105-05

    Na transformação para o equivalente Norton, obtemos:

    I'a = EA / XS

    Fazendo algumas transformações algébricas é possível demonstrar que podemos obter a seguinte relação:

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    eq.   105-04

    Onde definimos m como:

equa105-5J.png
    eq.   105-05

    onde as variáveis são definidas como:

  • Nre - é o número de voltas efetivas do enrolamento de campo.
  • Nse - é o número de voltas efetivas do enrolamento do estator por fase.

    6.   Diagrama Fasorial de um Gerador Síncrono

    Como as tensões de um gerador síncrono são tensões CA, elas são expressas usualmente como fasores, os quais têm módulo e ângulo. Portanto, as relações entre eles podem ser expressas por um gráfico bidimensional. Quando as tensões de uma fase (EA, Vg, j XS Ia e Ra Ia ) e a corrente Ia dessa fase são plotadas, resulta um gráfico denominado diagrama fasorial que mostra as relações entre essas grandezas.

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Figura 105-06
    Na Figura 105-06, é apresentado o modelo do circuito elétrico equivalente por fase de um gerador síncrono. Observe que a resistência interna do circuito de campo foi incorporada à resistência externa variável, resultando em uma única resistência, denominada RF. Com base nesse modelo, vamos analisar o comportamento do gerador ao ser conectado a três tipos de cargas distintas: resistiva, indutiva e capacitiva.

    Cabe salientar que o circuito mostrado na Figura 105-06 apresenta uma fonte de tensão de corrente contínua, VF, que alimenta o circuito de campo do rotor, modelado pela indutância e a resistência em série da bobina de campo. Em série com a resistência RF existe um resistor ajustável (não mostrado no circuito) que controla o fluxo da corrente de campo. Para representar o sistema trifásico, existem três circuitos iguais ao mostrado, um para cada fase. As tensões e correntes geradas por eles são idênticas em módulo, porém estão defasadas entre si de 120°.

    Essas três fases podem ser ligadas na configuração delta ou estrela. Quando o circuito equivalente por fase é usado, deve-se ter em mente um fato importante: as três fases apresentam as mesmas tensões e correntes somente quando as cargas a elas conectadas estão equilibradas (ou balanceadas). Se as cargas do gerador não estiverem equilibradas, então técnicas de análise mais sofisticadas serão necessárias. Essas técnicas estão além dos objetivos deste site.


        6.1   Carga Resistiva

    Quando conectamos uma carga resistiva ao gerador, sabemos que a carga apresenta um fator de potência unitário. Em outra palavras, não há defasagem entre a tensão terminal, Vg, e a corrente de armadura Ia. Logo, temos φ = 0°.
    Vamos usar este modelo para fazer o diagrama fasorial mostrado na Figura 105-07, quando usamos uma carga resistiva e, portanto, temos um fator de potência unitário.
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Figura 105-07

    Do circuito mostrado na Figura 105-06, vemos que a diferença entre a tensão total EA e a tensão terminal da fase, Vg, é dada pelas quedas de tensão resistiva e indutiva. Todas as tensões e correntes são referidas à Vg, cujo ângulo é assumido arbitrariamente como . Então, podemos escrever a equação que define a tensão terminal Vg dada pela eq. 105-06, ou:

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    eq.   105-06
    Na solução de alguns problemas, surge a necessidade de calcularmos o valor de EA, pois conhecemos o valor da tensão terminal, Vg. A partir da eq. 105-06, podemos escrever a eq. 105-06.1, abaixo.
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    eq.   105-06.1
    Opcionalmente, podemos escrever essa equação na forma não complexa, usando o teorema de Pitágoras aplicado ao diagrama fasorial mostrado na Figura 105-07. Veja abaixo a eq. 105-06.2.

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    eq.   105-06.2

        6.2   Carga Indutiva

    No caso da carga ser indutiva, sabemos que a corrente de armadura Ia, estará atrasada em relação à tensão terminal Vg. O diagrama fasorial dessa situação é mostrada na Figura 105-08, abaixo.

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Figura 105-08

    Desse diagrama fasorial, podemos determinar o valor da tensão interna FEM do gerador, EA, usando o teorema de Pitágoras. Para isso, tomemos como referência a corrente Ia e, facilmente, chegamos a eq. 105-07.1, mostrada abaixo.

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    eq.   105-07.1
    Dessa equação, é possível concluir que:

    "Para uma dada tensão terminal e uma dada corrente de armadura, é necessária uma tensão interna EA maior para as cargas atrasadas."
    Portanto, quando se quer obter a mesma tensão terminal que no caso FP = 1, será necessária uma corrente de campo maior para as cargas atrasadas, pois EA deve ser maior que Vg.

        6.3   Carga Capacitiva

    No caso da carga ser capacitiva, sabemos que a corrente de armadura Ia, estará adiantada em relação à tensão terminal Vg. O diagrama fasorial dessa situação é mostrada na Figura 105-09, abaixo.

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Figura 105-09

    Desse diagrama fasorial, podemos determinar o valor da tensão interna FEM do gerador, EA, usando o teorema de Pitágoras. Para isso, tomemos como referência a corrente Ia e, facilmente, chegamos a eq. 105-07.2, mostrada abaixo.

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    eq.   105-07.2
    Dessa equação, é possível concluir que:

    "Para uma dada tensão terminal e uma dada corrente de armadura, é necessária uma tensão interna EA menor para as cargas adiantadas."
    Portanto, quando se quer obter a mesma tensão terminal que no caso FP = 1, será necessária uma corrente de campo menor para as cargas adiantadas, pois EA deve ser menor que Vg.

    7.   Potência e Conjugado em um Gerador Síncrono

    Um gerador síncrono converte potência mecânica em potência elétrica trifásica. A fonte da potência mecânica, a máquina motriz, pode ser um motor diesel, uma turbina a vapor, uma turbina hidráulica ou qualquer dispositivo similar. Qualquer que seja a fonte, ela deve ter a propriedade básica de que sua velocidade seja quase constante independentemente da potência demandada. Caso contrário, a frequência do sistema de potência resultante variaria.

    Nem toda a potência mecânica que entra em um gerador síncrono torna-se potência elétrica na saída da máquina. A diferença entre a potência de entrada e a de saída representa as perdas da máquina. A potência mecânica de entrada é a potência no eixo do gerador dado pelo produto entre o torque aplicado pela máquina motriz e a velocidade de rotação da máquina, ou seja:

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    eq.   105-07

    Por outro lado, a potência internamente convertida pelo gerador síncrono da forma mecânica para a forma elétrica é dado pelo produto entre o torque induzido e a velocidade de rotação da máquina, ou seja:

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    eq.   105-08

    Uma forma alternativa de escrevermos essa equação é através da eq. 105-09.

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    eq.   105-09

    Nesta equação, o ângulo α é o ângulo entre a tensão induzida EA e a corrente de armadura Ia. A diferença entre a potência de entrada do gerador e a potência convertida nele representa as perdas mecânicas, as do núcleo e as suplementares da máquina.

    Na Figura 105-10 apresentamos um esquema mostrando o fluxo de potência em uma máquina síncrona.

fluxo105J.png
Figura 105-10

    A potência elétrica efetiva qua aparece na saída da máquina síncrona pode ser expressa em grandezas de linha pela eq. 105-10.

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    eq.   105-10

    E em grandezas de fase pela eq. 105-11, onde fizemos Vg = VF para enfatizar a grandeza fase.

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    eq.   105-11

    Salientamos que, neste caso, o ângulo φ é o ângulo entre a tensão de fase ou de linha e a corrente de armadura, Ia, conforme está explícito na Figura 105-11 (abaixo).

    Também é possível expressar a potência reativa em grandezas de linha, conforme a eq. 105-12.
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    eq.   105-12

    E em grandezas de fase, conforme a eq. 105-13, onde fizemos Vg = VF para enfatizar a grandeza fase.

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    eq.   105-13

    Se a resistência de armadura Ra for ignorada, considerando XS >> Ra, então podemos deduzir uma equação muito útil para fornecer um valor aproximado da potência de saída do gerador. Para deduzir essa equação, vamos examinar o diagrama fasorial da Figura 105-11. Essa figura mostra um diagrama fasorial simplificado de um gerador com a resistência de estator Ra ignorada.

fasorial105-11J.png
Figura 105-11

    Observe que o segmento vertical b-c pode ser expresso pela eq. 105-14.

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    eq.   105-14

    Podemos substituir na eq. 105-11 o valor de Ia cos φ pela transformação algébrica da relação acima. Assim, vamos obter:

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    eq.   105-15

    Essa equação estipula uma aproximação devido termos assumido que as resistências do gerador são iguais a zero, ou seja, não há perdas elétricas na máquina. Então, podemos afirmar que Pout = Pconv.

    Muitas vezes, é interessante saber qual a potência que a máquina possui em seu eixo. Conhecendo a potência convertida ou de saída e as perdas rotacionais (Prot), é possível obter a potência no eixo da máquina, mediante a eq. 105-15a, mostrada abaixo. Nas perdas rotacionais, estão incluídas as perdas por fricção, por ventilação e as perdas no ferro da máquina.

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    eq.   105-15a

    Também é possível calcular o ângulo δ trabalhando algebricamente a eq. 105-15, obtendo a eq. 105-16, mostrada abaixo.

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    eq.   105-16

    Devemos salientar que a eq. 105-14 mostra que a potência produzida por um gerador síncrono depende diretamente do ângulo δ. O ângulo δ é conhecido como ângulo interno ou ângulo de conjugado (ou torque) da máquina. Pela eq. 105-14 fica evidente que a potência máxima que o gerador pode fornecer é quando δ = 90°, pois sen 90° = 1.

    A potência máxima indicada por essa equação é denominada limite de estabilidade estática do gerador. Normalmente, os geradores reais nunca chegam nem próximos desse limite. As máquinas reais apresentam ângulos típicos de conjugado (ou torque) a plena carga de 20 a 30 graus.

    Examinando as eq. 105-11 e eq. 105-13 atentamente e, assumindo que VF é constante, a potência eficaz de saída será diretamente proporcional à Ia cos φ e a saída de potência reativa será diretamente proporcional à Ia sen φ.

    Essas observações são úteis quando se plotam diagramas fasoriais de geradores síncronos com carga variável.

    Levando em consideração a eq.105-08 e a eq. 105-15 facilmente podemos escrever a equação que define o torque induzido no rotor do gerador através da eq. 105-17.

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    eq.   105-17

    8.   Determinação dos Parâmetros de um Gerador

        Síncrono

    Da mesma forma como estudamos no capítulo referente a transformadores, nas máquinas síncronas também usamos os ensaios de curto-circuito e a vazio para determinarmos os parâmetros das máquinas síncronas.

    O circuito equivalente que foi deduzido anteriormente para um gerador síncrono continha três grandezas que devem ser determinadas para se descrever completamente o comportamento de um gerador síncrono real. São elas:

  • 1 - A relação entre corrente de campo e o fluxo (ou seja, a corrente de campo IF e a tensão induzida EA).

  • 2 - A reatância síncrona XS.

  • 3 - A resistência de armadura Ra.

        8.1   Ensaio a Vazio de um Gerador Síncrono

    Este é o primeiro passo a ser executado para se determinar os parâmetros do gerador síncrono. Para tanto, devemos garantir que não há qualquer tipo de carga conectada aos terminais do gerador. Ou seja, estamos com o gerador na condição "vazio". A seguir, colocamos o gerador a girar em sua velocidade nominal. Como não temos carga, então sabemos que Ia = 0 e, nesse caso, temos EA = VF. Sabendo dessa informação, é possível construir um gráfico de EA versus IF. A curva construída no gráfico é denominada de característica a vazio ou, simplesmente CAV. Em algumas literaturas também conhecida por característica de circuito aberto ou, simplesmente CCA.

    De posse da curva característica podemos encontrar a tensão gerada interna EA para qualquer corrente de campo IF dada.

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Figura 105-12

    Na Figura 105-12 vemos a característica a vazio (CAV ) típica de um gerador síncrono. Observe que, no início, a curva é quase perfeitamente reta até que alguma saturação é observada com correntes de campo elevadas. O ferro não saturado da máquina síncrona tem uma relutância que é diversos milhares de vezes menor que a relutância do entreferro. Desse modo, no início, quase toda a força magnetomotriz está no entreferro e o incremento de fluxo resultante é linear. Quando o ferro finalmente satura, a relutância do ferro aumenta dramaticamente e o fluxo aumenta muito mais vagarosamente com o aumento da força magnetomotriz. A porção linear de uma CAV é denominada linha de entreferro da característica.


        8.2   Ensaio de Curto-Circuito de um G.S.

    Depois de realizarmos o ensaio a vazio (CAV ) e determinarmos o gráfico EA versus IF, estamos aptos a realizar o ensaio de curto-circuito e determinar os vários parâmetros do gerador síncrono. Como primeiro passo, devemos colocar a saída do gerador em curto-circuito com um conjunto de amperímetros e ajustar a corrente de campo IF para o valor zero. Assim, a corrente de armadura Ia (ou a corrente de linha IL) é medida enquanto a corrente de campo é incrementada gradualmente. Fazendo uma tabela das medições e colocando esses valores em um gráfico, vamos obter a chamada característica de curto-circuito (CCC) e podemos ver esse gráfico na Figura 105-13.

curvaCCC105-1J.png
Figura 105-13

    Observe que basicamente é uma linha reta. Para entender isso, podemos olhar para a Figura 105-06 e considerando que os terminais do gerador estão em curto-circuito (ou seja, Vg = VF = 0) , então podemos escrever o valor de Ia = Icc pela eq. 105-18. Na verdade, o campo indução magnético resultante na máquina é muito pequeno, fazendo com que a máquina não esteja saturada, logo CCC é linear.

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    eq.   105-18

    Naturalmente que podemos escrever o valor do módulo de Ia = Icc pela eq. 105-19.

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    eq.   105-19

    Por outro lado, quando a máquina está em curto-circuito, temos VF = 0, e isso nos permite escrever a impedância interna da máquina, representada por ZS e dada pela eq. 105-20. Devemos lembrar que, neste caso, Ia = Icc.

equa105-20J.png
    eq.   105-20

    Porém, em geral, sabemos que podemos considerar ZS >> Ra e assim, considerando Ra ≈ 0, podemos reescrever a eq. 105-20 como:

equa105-21J.png
    eq.   105-21

    Nesta equação, estamos representando a tensão na saída do gerador a vazio como VF0. Então para determinar o valor aproximado da reatância síncrona da máquina, XS, com uma dada corrente de campo, podemos seguir o roteiro abaixo:

  • Para uma dada corrente de campo IF e usando as curvas do gráfico CAV determine a tensão interna gerada EA.
  • Encontre a corrente de armadura de curto-circuito utilizando o gráfico CCC para a corrente de campo especificada.
  • Usando a eq. 105-21 calcule o valor de XS.

    Caso haja interesse em determinar a resistência de armadura, Ra, pode-se usar o seguinte processo:

    Com a máquina em repouso (inativa), aplica-se aos terminais da máquina uma tensão CC conhecida e mede-se o valor da corrente que circula pelo enrolamento. O quociente entre essas duas grandezas será o valor de Ra. Esse valor é aproximado, pois não foi considerado o efeito pelicular em altas frequências. Pode-se melhorar a aproximação multiplicando-se o valor encontrado por 1,6. Veja mais detalhes desta técnica no item 8.6, abaixo.

        8.3   Razão de Curto-Circuito

    Outro parâmetro utilizado para descrever um gerador síncrono é a chamada razão de curto-circuito. Ela pode ser definida como:

    "É a razão entre a corrente de campo requerida para a tensão nominal a vazio e a corrente de campo requerida para a corrente nominal de armadura em condição de curto-circuito."

    A razão de curto-circuito permite caracterizar a qualidade da máquina síncrona. Para a mesma potência e correntes nominais, uma máquina com menor razão de curto-circuito tem menor volume e menor peso e, consequentemente, menor custo.


        8.4   Gerador Síncrono Moderno

    Quando o gerador está operando normalmente e acontece um curto-circuito em uma ou mais fases, surgirá uma corrente de curto-circuito que circulará pelo circuito da armadura. Essa corrente dependerá da FEM induzida e da impedância do gerador. O valor da corrente de curto-circuito será a razão entre essas duas grandezas.

    Essa corrente pode danificar o enrolamento da armadura do gerador caso a impedância síncrona, ZS, seja muito pequena. Portanto, para limitar a corrente de curto-circuito a um valor seguro, os modernos geradores são projetados para ter um alto valor da impedância síncrona. A resistência de armadura, Ra, não pode ser aumentada, pois isso aumentaria as perdas na máquina.

    Dessa forma, geradores síncronos modernos possuem alta reatância síncrona, mas pequena resistência de armadura. O valor da reatância pode ser 20 vezes ou mais o valor da resistência de armadura. Então, para propósitos práticos, a queda de tensão na resistência pode ser ignorada quando comparada com a queda de tensão na reatância.


        8.5   Determinação da Regulação do Gerador

    A regulação de tensão de um gerador síncrono é definida como a razão entre a tensão terminal sem carga e com carga em relação à tensão terminal com carga. Como EA é a tensão terminal sem carga e VT = Vg é a tensão terminal com carga, a regulação do gerador pode ser dada pela eq. 105-22, abaixo.

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    eq.   105-22

        8.6   Determinação da Resistência de Armadura

    Para se determinar a resistência de armadura devemos aplicar uma tensão CC ao enrolamento de armadura. Vamos denominar essa resistência de Rdc. Assim, como a medição foi realizada com corrente contínua, essa medição não considera o efeito pelicular da corrente alternada. Por esse motivo, é prática comum aplicar um fator de correção à resistência medida da armadura. Vamos denominá-lo de kac. Esse fator geralmente varia entre 1,25 e 1,75, dependendo da frequência de operação da máquina. Para equipamentos operando a 60 Hz, é comum que os fabricantes adotem kac = 1,6.

    Para determinar a resistência de armadura (Rdc) de uma máquina elétrica usando tensão CC, é essencial que ela esteja completamente desconectada de qualquer fonte de alimentação. Vamos enumerar os passos necessários para implementar essa medição.
  • 1. Seleção dos Terminais: Escolhem-se duas linhas quaisquer da armadura.

  • 2. Aplicação de Tensão: Aplica-se uma tensão contínua (CC) entre esses dois pontos.

  • 3. Medição da Corrente: Utiliza-se um amperímetro em série com o circuito para medir a corrente que circula.

  • 4. Cálculo da Resistência: A resistência, denominada Rdc, é obtida pela razão entre a tensão aplicada e a corrente medida, ou Rdc = Vdc / Idc.

  • 5. Repetição do Procedimento: Repete-se o processo para as outras duas combinações possíveis de linhas.

  • 6. Cálculo da Média: A resistência da armadura sob tensão contínua é determinada pela média das três medições realizadas. Para calcular o valor real da resistência de armadura, simbolizada por R'a, é essencial conhecer a configuração das conexões da máquina. Nos itens 8-6.1 e 8-6.2 abaixo, apresentamos os cálculos corretos para cada tipo de configuração, garantindo precisão na determinação de R'a

  • 7. Aplicação do Fator de Correção: A resistência final da armadura é determinada aplicando-se o fator de correção, ou seja:
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    eq.   105-23
    Há dois tipos de configuração nos enrolamentos de uma máquina elétrica: conexão estrela ou delta. Vamos estudar separadamente cada uma.

        8.6.1   Conexão Estrela

    Se a máquina está na conexão estrela, temos o circuito mostrado na Figura 105-14, abaixo.
resisDC-1J.png
Figura 105-14
    Observe que, no circuito acima, temos duas resistências R'a em série, obtendo como resultado:
    Vdc / Idc  =  Rdc  =  2   R'a
    Trabalhando algebricamente essa equação, encontramos o valor de R'a, ou
equa105-23J.png
    eq.   105-24
    E para encontrarmos o valor de Ra, basta aplicar o fator de correção kac em R'a, conforme a eq. 105-23 repetida abaixo.
equa105-23a.png
    eq.   105-23

        8.6.2  Conexão Delta

    Se a máquina está na conexão delta, temos o circuito mostrado na Figura 105-15, abaixo.
resisDC2-1J.png
Figura 105-15
    Observe que, no circuito acima, temos R'a em paralelo com 2 R'a, obtendo como resultado:
    Vdc / Idc  =  Rdc = 2/3   R'a
    Trabalhando algebricamente essa equação, encontramos o valor de R'a, ou:
equa105-24J.png
    eq.   105-25
    E para encontrarmos o valor de Ra, basta aplicar o fator de correção kac em R'a, conforme a eq. 105-23 repetida abaixo.
equa105-23a.png
    eq.   105-23